Rede dos Conselhos de Medicina
corte na saúde em 2015

Médicos vão resistir a desativação de leitos e preparam plataforma de luta

O bloqueio que o governo fez na Saúde, de R$ 11,774 bilhões de reais num orçamento que já é insuficiente, e o anúncio da redução de leitos deixou a classe médica ainda mais preocupada com a qualidade da assistência, mas a categoria promete reagir. É o que enfatizaram ontem as lideranças médicas, numa reunião realizada a noite no Conselho Regional de Medicina de Alagoas.

A problemática foi discutida com os diretores de unidades hospitalares de Alagoas, o presidente do Cremal, Fernando Pedrosa, e o representante de Alagoas no Conselho Federal de Medicina, Emmanuel Fortes. ‘É inadmissível assistirmos esse desmantelo de braços cruzados. Vamos definir uma plataforma de luta e somar esforços para evitar essa tragédia nacional. É preciso contar com o apoio de todos os segmentos da sociedade”, desabafou Fortes.

Eles lembraram que Alagoas teve somente 57 leitos a mais no SUS desde 2010, segundo dados do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES), do Ministério da Saúde. Em algumas especialidades houve decréscimo, como é o caso dos leitos pediátricos, que eram 500 e agora são apenas 317, ou seja, 180 a menos. No caso da obstetrícia houve aumento de 36, mas o presidente do Conselho Regional de Medicina de Alagoas, Fernando Pedrosa, lembra que muitos deles estão desativados devido a obra de reforma física, portanto, não correspondem de fato a real capacidade disponível.

“O que mais choca nem é a ínfima evolução de leitos, mas a recente proposta do governo federal de cortar leitos do SUS e até 2016 acabar com internações psiquiátricas”, criticou Fernando Pedrosa, lembrando que o que já era ruim vai ficar ainda pior.

De modo geral, no País quase 15 mil leitos de internação foram desativados na rede pública de saúde desde julho de 2010. Naquele mês, o Brasil dispunha de 336,2 mil deles para uso exclusivo do Sistema Único de Saúde (SUS). Em julho deste ano, o número passou para 321,6 mil – uma queda de quase 10 leitos por dia. As informações foram apuradas pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) junto ao Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES), do Ministério da Saúde. O período escolhido levou em conta informação do próprio governo de que os números anteriores a 2010 poderiam não estar atualizados.

Dentre as especialidades mais afetadas no período, em nível nacional, constam pediatria cirúrgica (-7.492 leitos), psiquiatria (-6.968), obstetrícia (-3.926) e cirurgia geral (-2.359). Já os leitos destinados à clínica geral, ortopedia e traumatologia foram os únicos que sofreram acréscimo superior a mil leitos.

Ontem os médicos elencaram propostas para realizar manifestações, mas não querem adiantar as estratégias. “Nesse momento é mais importante conscientizar a população e unir forças porque, definitivamente nenhum cidadão merece o que está sendo feito”, concluiu Pedrosa.

Fátima Vasconcellos

Assessora de Comunicação do Cremal

Mais informações com Fernando Pedrosa 9331-1692

 
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