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HGE hoje

 

Estoque de medicamentos no HGE foi normalizado após denúncia do CREMAL

Depois que o presidente do Conselho Regional de Medicina de Alagoas, Fernando Pedrosa, denunciou o desabastecimento no Hospital Geral do Estado, finalmente a situação foi regularizada pelo governador Renan Calheiros Filho. O problema foi detectado in loco durante visita surpresa, no último dia 20, quando diversos médicos haviam suspenso o atendimento alegando falta de material para fazer os procedimentos.

Menos de uma após denúncia da situação à imprensa, o HGE recebeu 32.365 unidades de medicamentos e 187.295 unidades de correlatos e insumos. Do total de medicamentos entregues na primeira remessa, segundo a Central de Abastecimento Farmacêutico (CAF), constavam, por exemplo, 11.700 unidades de captopril e duas mil unidades de propranolol, utilizados para o tratamento de pacientes hipertensos.

Já entre os insumos e correlatos, o HGE recebeu 5.295 unidades de fio para sutura, 2.700 unidades de ataduras, 3.100 unidades de agulhas, 9.200 unidades de equipos para infusão de soro e sangue nos pacientes, 3.100 unidades de cateteres, 6.300 unidades de seringas, 136 mil unidades de luvas, 13.200 unidades de fraldas descartáveis e 8.400 unidades de sapatilhas hospitalares.
De acordo com o governador Renan Filho, o desabastecimento do HGE teve origem no governo passado, que não realizou os pagamentos aos fornecedores da Secretaria de Estado da Saúde e fez compras acima de R$ 100 milhões, sem respeitar o processo legal.

"Como grande parte dos processos abertos na gestão passada não foram empenhados, os pagamentos cobrados estão sendo auditados pela CGE [Controladoria Geral do Estado], para que possam ser efetuados nesta gestão. No caso das dívidas contraídas sem o devido trâmite legal, a atual gestão da Sesau, com base no Decreto 39.456, de 20 de fevereiro de 2015, adotou todas as medidas necessárias para a instauração de sindicância interna, que irá apurar as responsabilidades.

Diante do impasse os fornecedores se recusaram a atender os pedidos de reabastecimento feitos pela Sesau, já que o governador tinha dito que não tinha perspectiva de quando pagaria o montante atrasado. Daí o agravamento da crise no HGE, que por enquanto foi normalizada, mas o CREMAL continua investigando os estoques.

 

Situação do HGE em 21/05/2015

O Conselho Regional de Medicina de Alagoas, através do seu presidente, Fernando de Araújo Pedrosa, fez uma vistoria no Hospital Geral do Estado, no último dia 21/05, quando detectou diversas irregularidades que inviabilizam o atendimento. O fato requer rápida solução, sendo conveniente a intermediação do Ministério Público, e para justificar a medida segue abaixo o relato do CREMAL:

O desabastecimento de insumos não permite mais a realização de 70% dos procedimentos, e entre os fornecedores o descrédito com o governo é tanto que eles se recusam a disponibilizar qualquer item, por mais barato que seja.

Falta desde os itens mais simples aos de maior complexidade, como instrumentação cirúrgica. Não tem soro fisiológico, gaze, atadura, esparadrapo, álcool, xilocaína, fio de sutura, vários tipos de válvula, bem como diversos medicamentos, a exemplo de alguns antibióticos imprescindíveis a uma unidade de emergência, entre outras drogas.

Um dos cinco centros cirúrgicos e a UTI neurológica estão sem climatização, encontrando-se desativados em função disso. Para agravar, até o sabão do HGE é inadequado para a higienização das mãos. Como o produto está em escassez, estão diluindo-o para fazer render o máximo possível, contrariando as diretrizes e protocolos da ANVISA.

A central de energia elétrica não suporta o uso simultâneo de todos os aparelhos de ar-condicionado. Tem paciente internado no setor de trauma precisando de colar cervical que está em falta. É comum encontrar leito cuja cabeceira não inclina. Caso coincida de um sequelado de AVC ficar acomodado nesse leito o perigo de morte é grande, pois pode haver bronco-aspiração.

Nas enfermarias não há saída de oxigênio suficiente para todos os acamados, enfim, os protocolos exigidos para o funcionamento minimamente adequado estão sendo descumpridos.

O CREMAL através do seu representante legal, Fernando Pedrosa, conversou com a diretora do HGE, Verônica Leite Omena, e a secretária de saúde do Estado, Rosângela Wi sobre a perspectiva de solução, mas não sentiu perspectiva de acordo imediato. Ambas estão bastante cientes do quadro e alegam não ter poder de resolutividade porque a decisão é do governador Renan Calheiros Filho.

Elas reconhecem as falhas e explicaram que os fornecedores se recusam terminantemente a acreditar que o Estado lhes pague o valor devido referente aos processos de 2014. O ano vigente está em dia, todavia, como o volume atrasado é grande (do ano passado) e o governo não acena com uma proposta confiável de quitação do montante devido, o consenso dos fornecedores é negar novos pedidos.

A vistoria feita pelo CREMAL também constatou superlotação. Na ala azul do HGE, por exemplo, onde costumam ficar pacientes com indicação de internamento e cirurgia, há um excedente de 24 pessoas. Ou seja, o local comporta 15 leitos, mas está com 39 (todos ocupados). As camas e macas estão umas juntas das outras, sem haver o mínimo espaço para o médico transitar e prestar o seu serviço. Caso haja uma parada cardíaca, fica inviável fazer a técnica de reanimação.

A superlotação é idêntica na ala vermelha, onde só deveriam ficar pacientes de trauma. Ali tem, inclusive, quatro pacientes com indicação para UTI (todos entubados), mas esta não suporta receber mais ninguém. Foi observado no local apenas um monitor multiparametral (para verificar funções vitais) quando deveria ter pelo menos dez. Já ala amarela, que deveria acolher somente quem já foi submetido a algum procedimento, e está em recuperação/observação, um risco chama a atenção: não existe saída de oxigênio para todos os leitos. Significa que o doente pode ter sua saúde agravada. Quem ocupa um desses leitos sem conexão para O², e precisar do produto, pode morrer.

Das cinco salas de emergência do HGE constam em funcionamento três, e uma UTI foi fechada por falta da medicação mínima necessária. Como se não bastasse a escassez de insumos, falta ainda mão de obra para executar as atividades. Por conta disso, apesar da alta demanda, alguns leitos estão desativados, afinal, não há profissionais numa escala suficiente para cuidar dos mesmos. Outro agravante é a ausência de médico plantonista para fazer as prescrições nos fins de semana. Enfim, até os burocratas da área administrativa, que fazem estatísticas importantes para monitoramento das patologias e das diversas ocorrências do hospital, em geral, foram dispensados e isso prejudica o registro no banco de dados do HGE.

No último dia 24 de abril a Unidade de Acidente Vascular Cerebral foi inaugurada pelo governador Renan Calheiros filho e pela direção do HGE mas, passado um mês, é mantida de portas fechadas. Faltam equipamentos, medicação e equipe especializada. Ou seja, inauguraram o que inexiste.

 
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